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“Uma Rapariga Instruída Vale Apenas Cinco Vacas!” Documentário da RT Investiga o Casamento Infantil Na Tanzânia

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Mulheres Tanzanianas esperam, enquanto os homens negociam o dote. RT

Mais de um terço de todas as mulheres Tanzanianas casam antes dos 18 anos de idade, sendo que muitas delas são forçadas a casar tão cedo quanto 11 anos. A Corte Suprema do país, impôs recentemente severas sanções ao casamento infantil, mas como a equipa da RT descobriu, as atitudes no terreno estão resolutamente agarradas as velhas práticas.

Numa cena típica no país do leste Africano, dois grupos de membros da família, sentados um em frente do outro, negociam o dote de uma rapariga de 13 anos de idade, Maasa. A rapariga e, os seus parentes e todas as mulheres observam à distância e em silêncio.

“Vamos dar-lhe 3 vacas,” esta foi a oferta inicial da família do noivo.

“Três vacas? Não é o suficiente!”, responde o chefe da família de Maasa.

“Vou acrescentar mais duas”.

“Eu preciso de 15 vacas!”

“Vamos ser realistas”.

“Okey, vou baixar as nossas exigências de 15 para 10.”

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As negociações continuam e, eventualmente, as partes estabelecem um dote de 10 vacas; 7 agora e outras 3, quando o casamento for realizado, com um cabrito para o bisavô de Maasa.

“Na nossa sociedade, é muito mais importante obter vacas do que manter a sua filha em casa. Eu também tenho filhos: um dia eles vão casar e levarão as noivas para casa, então teremos mulheres em casa”, diz a mãe de Maasa à RT, enquanto tenta acalmar a sua filha visivelmente nervosa.

“Tradicionalmente, as vacas são mais valiosas do que as filhas”, acrescenta a avó de Maasa.

A Tanzânia, um país com mais de 50 milhões de habitantes, tem uma das rendas per capita mais baixas do mundo e, para os habitantes rurais, o gado não é apenas um sinal de prosperidade e os dotes não apenas uma forma de criar laços familiares – , estes podem ser o único meio de sobrevivência.

Mas as raparigas são peões e, até mesmo aquelas felizes em se tornarem noivas sofrem.

Como observa a Human Rights Watch e outros activistas internacionais, o casamento quase por padrão marca o fim do caminho educacional de uma rapariga. De fato, as raparigas instruídas muitas vezes não são sequer consideradas material de casamento.

“Os homens querem casar-se com raparigas. Raparigas de 12, 13 ou 14. Se uma rapariga se casa cedo, ela se adapta com maior facilidade à sua nova família. As raparigas instruídas não são altamente valorizadas. Elas não são tão boas para a família. Elas querem ter uma palavra a dizer em tudo. São mimadas”, explica o pai de Christina, de 13 anos, cuja cerimonia de casamento foi interrompida por um ataque policial. “Uma rapariga instruída não vale mais do que 5 vacas. Eu não vou conseguir um bom preço para a minha filha depois que ela terminar a escola. Eu teria sorte se eu conseguir 5 vacas por ela.”

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Leokodia, 16 anos, vive num centro de acolhimento que abriga 150 raparigas que escaparam do casamento infantil – muitas delas depois de anos de abuso.

“A minha irmã tinha casado com um homem da minha aldeia. Ela é muito trabalhadora, de modo que o homem perguntou se ela tinha uma irmã mais nova. Ele viu o modo como ela trabalhava, a forma como ela tratava as pessoas, como ela se dava bem com todos. É por isso que ele decidiu se casar comigo”, diz ela. “Eu tinha apenas 14 anos e, ele tinha 36 anos.”

Mas as coisas rapidamente ficaram azedas.

“A minha filha não suportava ser humilhada pelo seu marido. Ele a batia e a maltratava. Então ela voltou para casa com o seu filho”, explica a sua mãe, que agora cuida da sua neta, enquanto Leokodia completa a sua educação no centro.

“Todas as minhas lembranças do casamento são horríveis. Se alguma vez conhecer outro homem, temo que tudo se repita e eu possa ser magoada mais uma vez, então acho que não vou voltar a casar,”, explica Leokodia.

E o dote?

“Quanto as vacas, nós vendemos todas elas para pagar as despesas da família e o casamento do meu filho,” diz a mãe de Leokodia a equipa.

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Em Junho de 2016, a Corte Suprema da Tanzânia aumentou a idade de casamento das mulheres para 18, antes era 14 e, impôs até 30 anos de prisão a homens que se casam ou engravidem raparigas abaixo dessa idade, o que a HRW chamou de um “passo crucial para a frente” no que diz respeito aos direitos das raparigas e das mulheres.

Mas Paulo, um activista que recentemente perdeu três dentes depois de tentar acabar com um casamento infantil, diz que, embora a lei forneça apoio indispensável, nenhum progresso pode ser alcançado sem uma mudança de mentalidade e, avançar para um sistema económico onde as famílias dependem uns dos outros para a sobreviver.

“Quando lhes digo que precisam educar as suas filhas, elas não entendem. As vacas são mais importantes para eles. Eu denunciei estes casamentos para aumentar a consciência e, terminar com os casamentos infantis. Disse-lhes que não funciona, são necessárias medidas mais sérias”, disse ele à equipe da RT.

“Eu tento explicar, dizendo: ‘Eu sou capaz de construir uma casa, não porque troquei a minha filha por vacas, mas dei-lhe uma educação. Agora ela trabalha para a polícia, ganha muito dinheiro e ajuda-me a construir uma casa”.

 

 

 

Fonte:

https://www.rt.com/news/373879-tanzania-child-brides-cows/?utm_source=browser&utm_medium=aplication_chrome&utm_campaign=chrome

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